E o tema de hoje é: Pesquisa.

Em um intercâmbio há várias formas de dar um boost no seu curriculum, e formar uma preciosa rede relacionamentos. Fazer um estágio, ir a conferências, inscrever-se em concursos e novos projetos pode propiciar a você experiências que mudarão não só o seu currículo mas também o seu futuro profissional. Uma dessas experiências é a pesquisa.

E, quando se trata deste tema, dentro ou fora do seu país de origem, é necessário ter um atributo crucial para iniciá-la: cara de pau! hahaha
Sério, pesquisa não combina com introversão e vergonha. É necessário ter coragem para mostrar a um tutor que está interessado, deseja pesquisar e precisa de ajuda. Também é necessário conversar com pessoas mais experientes, ir a congressos e obter informações publicadas (principalmente na internet) e informações não publicadas sobre oportunidades de pesquisa (estas, você só consegue conversando mesmo).
A sua Peroba’s face na pesquisa pode te render muito mais do que pesquisa!

No meu caso, a pesquisa uniu o útil ao agradável: era obrigatório um estágio de 3 meses durante as férias do CsF. Assim, muito antes das férias, fui a uma professora que eu admirava na Universidade, expliquei o meu interesse pela área dela, por pesquisa e minhas intenções em seguir a carreira acadêmica. Ela então me direcionou para outra professora, pois não possuía mais vagas para estagiários em seu laboratório. E, assim, iniciei meus 3 meses de pesquisa, que me renderam além deste contato e do aprendizado, 3 pôsteres em uma Conferência Nacional no UK e oportunidade de acompanhar um oftalmologista (marido da orientadora) em um hospital no UK, inclusive em cirurgias!
E, como contatos só geram mais contatos, este oftalmologista me apresentou a uma oftalmologista convidada do USA que me passou o contato de um outro oftalmologista muito renomado que lecionava na USP, no Brasil! haha

Presenting at Manchesters Conference
Apresentando na Conferência de Manchester

Além de pesquisas, há muita oportunidade para empreendedorismo. Quando cheguei a Escócia, eu tinha em mente um plano: desenvolver um modelo anatômico de olho que eu planejava desde o 2º ano da faculdade.
Era um modelo manual, didático, simples e portátil para explicar para os pacientes sobre estrabismo e as cirurgias que são realizadas neste tipo de doença. Inscrevi o modelo em um concurso do Scottish Institute for Enterprise e, ganhei desta instituição financiada pelo Scottish Funding Council e pelo Scottish Enterprise parte do dinheiro necessário para criar a minha própria patente do produto, além do suporte de ter um business advisor mensalmente para progredir com a minha idéia e planejar a sua chegada ao mercado até a conclusão da patente.

Wilderness medical course at the University of Edinburgh
Wilderness Medical Course na Universidade de Edimburgo

Outro grande gerador de oportunidades de pesquisa e contatos profissionais é credenciar-se e ir a eventos de associações relacionadas à sua área de trabalho. No UK me tornei membro do Royal College de Médicos e Cirurgiões de Glasgow, da Sociedade Cardiovascular da Universidade de Glasgow, da Associação de Optometristas e frequentei congressos de muitas faculdades de medicina (inclusive tive um trabalho aceito para apresentação oral em um congresso internacional,e este trabalho foi escrito em Glasgow sobre um paciente que meus amigos acompanhavam no Brasil!).
E, como fiquei sabendo de todas estas sociedades e associações? Google e Facebook. Duas pessoas desconhecidas estão separadas por apenas seis conhecidos, mas apenas o Google e o Facebook te separam das instituições que você deseja encontrar. Assim, pesquisando os termos ‘medicine’, ‘UK’, Glasgow’, ‘association’ e ‘royal colleges’, cheguei a estas instituições.

Oficina pratica no Royal College of Physicians and Surgeons of Glasgow- Plastering
Oficina prática no Royal College of Physicians and Surgeons of Glasgow – Plastering

Na volta ao Brasil, continuei recebendo emails destas associações, e em um deles surgiu a oportunidade de coordenar um estudo multicêntrico no Brasil, que estava sendo iniciado na Universidade de Edimburgo. E assim fiz, submeti a um comitê de ética aqui no Brasil, divulguei o trabalho no Facebook, outros participantes se interessaram e 8 hospitais do Brasil foram inclusos. O trabalho contemplou 58 países, cerca de 350 hospitais e obtivemos dados de mais de 10700 pacientes sobre cirurgia abdominal de urgência e emergência. O trabalho foi submetido a diferentes jornais médicos e está em processo de análise.

Assim, como estas oportunidades surgiram para mim, elas podem surgir para você também. Basta um pouco de coragem(cara de pau!haha), interesse e procura. Mãos à obra!

Um abraço,

Ana Vega Carreiro de Freitas

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