Cambridge, Ciências Humanas no CsF e films!

A cidade das bikes, do rio Cam e da renomada Universidade de Cambridge fica a 80km de Londres e foi minha morada por um ano. Estudei Film and Television Production na Anglia Ruskin University.

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Estudar em Cambridge foi um sonho. A cidade é cheia de estudantes de todas as partes do mundo e foi uma experiência incrível entrar em contato com essa pluralidade cultural. Além das pessoas, a cidade tem uma história fabulosa e paisagens dignas de capa de revista .

Como estudante de Comunicação Social (Midialogia), faço parte do grupo de alunos de humanidades que conseguiu ser contemplado pelo Programa Ciências Sem Fronteiras quando ainda existia a área de Indústria Criativa. O programa é uma iniciativa do Ministérios da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e do Ministério da Educação (MEC), por meio do CNPq e da Capes, e Secretarias de Ensino Superior e de Ensino Tecnológico do MEC e o foco são as área tecnológicas. Uma das justificativas dada pela Capes na época do corte de áreas era de que os cursos de Humanas no Brasil não possuiam muitas deficiências como os cursos de Engenharias, Ciências Exatas e outras áreas tecnológicas. Antes mesmo de iniciar minha graduação sanduíche em Film & Television Production, eu discordaria dessa afirmação. Hoje, após concluir meus estudos no exterior, discordo mais ainda. Em primeiro lugar, meu curso é o único de Comunicação em toda a Unicamp. Faltam docentes, equipamentos e infra-estrutura. Em relação à pesquisa, acredito que a Midialogia contribuiu muito para minha formação, mas em relação à prática audiovisual, que também sempre me interessou, deixou algumas lacunas. Nesse sentido, a graduação sanduíche em Film & TV foi muito complementar aos meus estudos.

Em termos de infra-estrutura para a prática de produtos audiovisuais, a Anglia Ruskin University era muito bem equipada. Na disciplina Short Film, meu roteiro foi escolhido para ser realizado e assim, pude dirigir o curta metragem The Black Marker, que mais tarde foi exibido no cinema Cine World de Cambridge e em dois festivais, o Mikser Festival (Sérvia) e o Ipswich Film Day (Inglaterra). Foi um grande desafio e aprendizado lidar com casting, locações e a própria escrita do roteiro num lugar totalmente novo e diferente da realidade unicampense.

Obtive oportunidades de trabalho a partir de indicações dos próprios docentes da universidade. Fui convidada, por exemplo, junto a outro aluno sem Fronteiras, para fazer um trailer em animação que passaria antes de todas as sessões do Cambridge Film Festival. Nesse ano, o próprio Stephen Hawking abriu o festival! Foi um imenso prazer assistir meu trabalho na tela do cinema e poder ter acesso livre para os filmes. Em 2014, fomos novamente convidados para fazer outro trailer!

Open air screening de Singin' in the Rain no Cambridge Film Festival
Open air screening de Singin’ in the Rain no Cambridge Film Festival

A professora de animação também me convidou para alguns trabalhos; dentre eles, a monitoria em oficinas de animação durante o verão e um making of organizado pela Universidade de Cambridge e pelo Cambridgeshire Film Consortium.

Durante todo intercâmbio, fui voluntária como operadora de câmera no Independent Film Trust, uma organização sem fins lucrativos que organizava exibições em Cambridge para filmes independentes de todas as partes do mundo.

Acredito que experiência no CsF foi imprescindível nesse início da minha carreira. Além de entrar em contato com disciplinas que eu nunca teria acesso no Brasil, sinto me muito mais confiante com meu portifólio. No fim do ano passado, um projeto de animação em stop motion, chamado Indescritível, que faço parte como diretora de arte e animadora foi aprovado pelo Fundo de Investimentos Culturais de Campinas (FICC). Foi uma grande conquista para a toda a equipe e tenho certeza que minha experiência no programa me ajudou e continua me ajudando a criar o filme.

Frame da animação Indescritível

Assim como o CsF foi um sonho possível para mim, espero que no futuro, seja também para mais estudantes. Que o Ciência sem Fronteiras abra as portas para todas a ciências e faça jus ao seu nome!

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