Relacionamentos de longa distância, o tabu do intercâmbio

long distance

Como comentado em meu post de apresentação e o de tema de Atividades Extracurriculares, falando de intercâmbio (e de tudo na vida, na verdade), temos sempre de levar em consideração o lado humano de nossas empreitadas, e não só os aspectos acadêmicos e profissionais. Sendo assim, como poderíamos evitar de discorrer sobre o grande tabu do intercâmbio, o efeito dos mesmos nas vidas amorosas dos estudantes?

Já ouvi histórias de todos os tipos. Pessoas que evitaram estudar fora por seus relacionamentos; casais que optaram por um break durante esse tempo, em seguida retomando o relacionamento; e até conheci um par de casais que conseguiram coincidir intercâmbios em país e ano, para que embarcassem juntos na aventura de estudar fora. Porém, à parte dessas exceções, o mais comum para casais, sejam eles existentes antes de um membro optar por um tempo fora do país, ou casais que se formaram fora de suas cidades-natal, é o famigerado RLD, o relacionamento à longa distância. Dado o tema, aviso desde já que o artigo será carregado de opiniões particulares, adquiridas inclusive por experiência pessoal, que podem ir contra ou a favor do senso comum. Peço desculpas caso minha visão sobre o tema ofenda qualquer leitor, e esclareço que minha intenção é ajudar pessoas interessadas no assunto.

A primeira pergunta que surge nesse tipo de discussão é: RLD Funciona? A resposta curta é: Sim, funciona. Já cansei de conhecer casais que percorreram períodos curtos ou longos amando a distância, com ótimos resultados. Porém, a resposta mais fidedigna seria: Pode funcionar, dependendo de diversos fatores. RLD não é para todo mundo – demanda muita maturidade, controle emocional e confiança. Invariavelmente, romances desse gênero podem funcionar ou sucumbir, destinos possíveis para qualquer casal, em qualquer condição.

Estou pensando em fazer RLD, o que devo fazer? Antes de embarcar nesse desafio, pense muito a respeito. Como um RLD afetará sua vida? Você se vê em seu relacionamento para longo prazo? Você e seu parceiro(a) possuem a garra para encarar isso juntos? Discuta abertamente com seu par, explorem juntos suas opiniões, desejos, e também medos e inseguranças. Diálogo é um must. Para filosofar, deixo abaixo uma citação de Gabriel García Márquez, que para mim possui um significado especial, e pode ajudá-lo(a) em sua escolha:

Diga que sim (…) ainda que você esteja morrendo de medo, ainda que depois se arrependa, porque seja como for você se arrependerá a vida inteira se disser que não.

Desafios e dicas para casais RLD:

– O ciúmes brasileiro cultural: Seja por decorrência de novelas melodramáticas, ou pela nossa característica de povo latino, somos invariavelmente mais apegados e possessivos em relacionamentos que povos de outras culturas. O ciúmes é um problema grave para RLD, para não dizer casais em geral. Aprendam juntos, como um casal, a gerir seus sentimentos de forma racional. Há de haver confiança mútua, para evitar que medos ou mal-entendidos convertam-se em grandes discussões.

– Dedique tempo um ao outro. Façam do Skype ou do telefonema uma atividade que recebe 100% de atenção de cada um dos lados. Explore também outras atividades que casais RLD podem fazer juntos, como as da lista de atividades sugeridas pelo Loving From a Distance, site temático de RLD.

– Não tenha medo de demonstrar afeto por meio digital. Nada compensa um beijo ou um abraço, mas afeto pode apaziguar o anseio de estarem juntos. Além disso, não deixe o romance morrer! Envie flores, escreva cartas apaixonadas e postais das cidades que visita, mande vídeos, poemas, inove para a pessoa quem você ama.

– Faça planos para o futuro. Tenha bem definida uma data para o fim da RLD e início de um relacionamento de curta distância. Foco no futuro fornece estabilidade e constrói confiança mútua.

– Uma última dica: Seja em RLD, seja solteiro(a), não deixe de aproveitar as oportunidades que a vida te concede. Nada me dói o coração mais do que saber que há pessoas (e não são poucas), que não administram bem seus relacionamentos, ou que por suas escolhas próprias, acabam por desperdiçar oportunidades de ouro.

Por fim, lhes dou my two cents on long distance (minha experiência pessoal no tema): Tive por dois anos um relacionamento de 9000 km de distância (Curitiba-Londres). Creio que ambos eu e minha ex-namorada crescemos através dos prazeres e das dificuldades de se relacionar à distância, e pudemos aproveitar e aprender muito pela característica multicultural latina/anglo-saxônica do relacionamento. Durante o período, tive alegrias e também momentos difíceis, nunca deixando de acreditar no potencial de RLD para a felicidade e crescimento de casais.

assinatura_Eduardo

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