Compreendendo e compondo a Covering Letter

letter

Já exploramos temas de estágio, pesquisa e trabalho freelance, além do mundo profissional britânico e como compor um currículo (CV) de sucesso. Para dar continuidade ao lado business do blog, hoje abordaremos a covering letter, ou em português, a carta de apresentação, uma ferramenta de suma importância para a introdução profissional no UK e outras nações; e que, por não ser usual em nosso país, geralmente causa muitas dúvidas para os brasileiros.

O que é a covering letter, e por que ela é importante? Para colocar-se no lugar de uma empresa contratante, ou um acadêmico buscando um aluno, imagine-se em um restaurante decidindo o que irá comer através das informações de um cardápio. Os currículos de candidatos são como uma descrição técnica das refeições, dos seus ingredientes e tempos de preparo. Na teoria, uma pessoa poderia escolher um prato por saber que ele leva 20 gramas de certo tempero, ou tarda 20 minutos no forno. Já na prática, geralmente descrições técnicas, sejam elas da forma de preparar uma refeição, os das experiências profissionais de uma determinada pessoa, não são suficientes para ter-se uma ideia do produto em questão. Por esse motivo, a carta de apresentação, com suas informações sobre os interesses e motivações de um profissional, complementa o currículo – da mesma forma que uma descrição mais informal sobre os sabores e as tradições por trás de um certo prato complementa um cardápio. Em poucas palavras: A carta de apresentação serve para realçar os aspectos mais importantes do seu currículo e de porquê eles o fazem ser o candidato ideal para determinada vaga, além de demonstrar sua motivação e entusiasmo em relação à organização pleiteada e/ou a área de atuação da mesma.

Qual a estrutura que devo usar? Geralmente a carta apresenta 3 a 4 parágrafos, e a estrutura pode variar de acordo com sua área de atuação profissional e a imagem particular a qual você gostaria de transmitir. Não creio ser interessante apresentar aqui uma formulinha fechada para a estrutura, pela diversidade de áreas da audiência do blog, e também por ser valioso que cada leitor explore diferentes estruturas e decida qual a melhor para si. Portanto, de uma busca rápida pela internet, sugiro os materiais dos jornais Guardian e Telegraph no assunto, e guias das universidades de Oxford, Kent e da organização independente Prospects. Como de costume, sugiro também consultar o departamento de carreiras de sua universidade para aconselhamento no tema.

Dicas gerais por experiência própria:

– Sempre escreva uma covering letter. Mesmo que determinadas posições deixem o envio da carta como opcional, enviá-la demonstra pró-atividade, e realça seu interesse pela vaga e sua qualidade como candidato. Particularmente para vagas de trabalho no UK, plataformas online tendem a permitir o upload de arquivos diversos – abuse desse recurso não só para covering letters, como também para cartas de recomendação de antigos chefes/professores sempre que conveniente.

– Não realize o ato de escrever a carta como um fardo. Ao escrevê-la, enjoy yourself! Não estou dizendo para escrever a carta enquanto estiver na banheira ou no pub com os amigos, mas deixe transparecer no texto que você está motivado e tem prazer em escrever sobre si mesmo e a posição desejada. Use a carta como uma oportunidade de realçar informações do CV de importância geral, ou específica para a posição pleiteada, e também para colocar informações que por ventura não seriam convenientes para o currículo.

– Use uma linguagem mais informal e entusiasmada. Diferente do CV em terceira pessoa, a covering letter em primeira pessoa permite uma comunicação mais direta sobre suas motivações. Não se acanhe, por exemplo, em escrever que você é passionate (palavra em inglês entre apaixonado e motivado, bastante útil em contexto profissional) por engenharia, ou medicina, ou aprender línguas estrangeiras, por exemplo. Explore seus interesses e motivações com convicção e sem modéstia – por exemplo, se você foi responsável por algo, use “eu”, e não “nós”.

– Caso você queira usar um par de frases para descrever um projeto de sucesso em seu passado, utilize a técnica S.T.A.R. de integralidade de informação:

Situação + Tarefa + Ação + Resultado

… por exemplo: “Durante meu período como estagiário na empresa X, as linhas de manufatura do produto Y apresentavam atrasos de produção (S). Fui encarregado de compreender as limitações de produção (T) e após observar que havia um gargalo de produção devido a uma operação manual, reloquei recursos do chão-de-fábrica para solucionar o problema (A), ocasionando uma redução de custos para a empresa (R).

– Siga as dicas do post passado sobre currículo, pois muito se aplica também a cartas de apresentação: Por exemplo, a importância do suporte da universidade estrangeira e os cuidados na tradução/escrita técnica em inglês. Por fim, levando em consideração a visualização de textos por analistas de RH, sugiro que informações mais importantes devem novamente ser colocadas já nas primeiras linhas da carta, como no CV. Por esse motivo, opte por iniciar a carta já introduzindo uma sentença de efeito dentre as primeiras frases, como “pretendo trazer para a posição/empresa conhecimento aprofundado em publicidade, obtido em estágios junto as agências A, B, e C de renome no Brasil”.

– Importante: Não banque o espertinho e copie cartas de apresentação de uma empresa para outra, mudando só algumas palavras. Analistas de RH conseguem farejar o Ctrl+C Ctrl+V a milhas de distâncias. Portanto, ao descrever seu interesse específico na organização, evite ser generalista e dizer algo na linha de “admiro como a empresa X utiliza tecnologia de ponta para resolver problemas do dia-a-dia de seus clientes”. Faça uma pesquisa rápida sobre a organização, e descreva especificamente o que te atrai por ela, e o que faz de você o candidato ideal à vaga.

– Dica final: Pratique o estilo de escrita de covering letters para também as temidas perguntas de RH de oportunidades profissionais – questões do tipo “por que você quer trabalhar para X”, ou “diga-nos de uma ocasião em que você teve de desenvolver um projeto em equipe e os resultados dessa experiência”. Muitas das dicas do corrente texto – por exemplo, demonstrar entusiasmo, a técnica STAR, personalizar respostas de forma específica à empresa – podem e devem ser empregadas para responder às perguntas de RH com propriedade e clareza.

Acredite em si mesmo, demonstre por que você é único e ideal à vaga, e por que você teria prazer em ocupa-la. Eis as dicas chaves para sua carta de apresentação de sucesso. Muito obrigado, e até a próxima!

assinatura_Eduardo

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s