Seleção profissional no UK, e como preparar-se para Assessment Centres

Já foi apresentado no blog dicas para currículo, carta de apresentação e outros temas importantes para a entrada no mundo profissional britânico – disponíveis no marcador negócios. Portanto, para os intercambistas ou ex-intercambistas que almejam um estágio (internship) ou trainee (graduate) no UK, cabe agora explorarmos a diferença no caminho de seleção de talentos, em contraste ao sistema brasileiro, com foco posterior na atividade final de seleção presencial, o temido Assessment Centre. Notem que muito do artigo é baseado na seleção por empresas de engenharia, porém as mesmas informações devem ser válidas para o mundo corporativo em geral.

Sistema brasileiro de seleção profissional: No Brasil, salvo exceções de vagas pontuais de emprego e estágio, as grandes empresas tendem a utilizar plataformas robustas para a seleção de novos estagiários e trainees. Muitas utilizam o portal do Cia de Talentos ou similares como o Across para realizar a seleção. Esses provedores de RH tendem a possuir a mesma base de dados para diferentes empresas (i.e. o candidato geralmente faz upload do CV e/ou realiza uma prova de inglês, que serão utilizados para seleção em diferentes organizações). A seleção para o trainee/estágio então é feita por uma triagem inicial de currículos e histórico profissional, seguido de avaliações presenciais, geralmente em mais de uma etapa. A triagem, portanto, é geralmente feita:

Seleção online -> Atividade presencial inicial -> Atividade presencial final

Sistema britânico de seleção profissional: No UK, as coisas são um pouco diferentes. Primeiramente, as empresas possuem em seus próprios sites os sistemas de upload de currículo/realização de provas; portanto, aplicar para uma vaga de estágio/trainee no UK tende a demorar muito mais, pelo upload de histórico profissional etc. A empresa realiza uma triagem inicial do currículo, carta de apresentação e perguntas de RH do formulário de inscrição. Posteriormente, uma segunda triagem ocorre geralmente por meio de uma entrevista de telefone, também com perguntas de RH – as boas e velhas “diga-me uma vez em que você trabalhou em grupo…”.

Por fim, após uma grande filtragem de candidatos, é realizada a avaliação presencial com provas individuais e dinâmicas de grupo, o temido Assessment Centre, que geralmente tende a ser a última etapa antes da contratação. A grande diferença no processo inglês comparado ao brasileiro é que ao passo que um processo brasileiro possa convidar talvez 1000 a 2000 candidatos para a primeira etapa presencial, para o preenchimento de poucas vagas de trabalho, o Assessment Centre só terá como convidados algumas dúzias de candidatos. Ou seja, o afunilamento, no sistema britânico, é muito mais pesado na etapa não-presencial. A triagem ocorre portanto, de forma geral:

Seleção online -> Entrevista por telefone -> Assessment Centre

Assessment Centre: Dado que na etapa presencial a relação candidatos/vaga é baixa, e que as grandes empresas possuem bons orçamentos, particularmente para a seleção de novos graduates, é bastante provável que a empresa venha a cobrir custos de transporte e acomodação dos candidatos, mesmo que esses venham de países distantes. Já evidenciei candidatos indo ao UK desde o Brasil, Polônia, República Checa e África do Sul financiados pelas empresas. Também pela baixa quantidade de candidatos convidados – cada evento deve contar com até 16 candidatos –, a avaliação é feita de uma forma mais íntima que as dinâmicas de grupo brasileiras – cada passo seu será analisado pelos diversos avaliadores, por mais intimidante que isso soe – e as empresas tendem a dedicar um dia todo de atividades, ou mais de um dia em um contexto similar a retiros corporativos.

ashorne
Assessment Centres podem ser realizados em locais de retiro corporativo, como a escola de gestão Ashorne Hill, que conta com acomodação própria e atende indústrias como Ford e Jaguar Land Rover.

Um Assessment Centre geralmente será composto de algumas ou todas as seguintes atividades: Quebra-gelo (um jantar menos formal, por exemplo); atividades de grupo (que variam desde divertidas “criem um dispositivo para que o ovo não quebre ao cair” até tensas atividades de negociação entre candidatos); provas de aptidão numérica, lógica ou verbal; uma apresentação (que pode vir no formato “traga sua apresentação pronta” ou para ser elaborada no próprio dia); in-tray exercises (exercício de simulação em que você assume o papel de um gerente retornando de férias e possui uma série de e-mails/telefonemas etc. acumulados, e deve planejar sua semana para lidar com todos os problemas); e entrevistas de competências.

Para preparar-se para esses eventos, sugiro buscar materiais de apoio no centro de Careers de sua universidade, como DVD’s com exemplos de avaliações por diferentes empresas (sim, eu sempre sugiro buscar suporte no departamento de carreiras, e se sugiro é porque há motivo! 🙂 ). Além disso, a internet é forrada de material de diversas fontes sobre como se preparar para as avaliações de seleção profissional no UK. Algumas dicas fortes que pessoalmente sugiro é: Sorria sempre, tenha bom humor e mantenha-se consciente de sua linguagem corporal; demonstre confiança e foque em por que você é unique como profissional; não encare outros candidatos como competidores e inclusive esforce-se a incluir os mais tímidos nas discussões de atividades em grupo; foque/demonstre sempre business awareness; não só faça, mostre aos avaliadores que você está fazendo; e por fim, pergunte-se sempre “por que estão me pedindo que faça isso?” e “o que esperam do candidato ideal nessa atividade?”.

Pessoal, uma última dica, para os ex-intercambistas que almejam carreiras internacionais: Explorem as empresas em que vocês trabalham ou trabalharam no Brasil quanto a programas de graduate no UK. Mesmo que as multinacionais não tenham origem no Reino Unido. Grandes organizações tendem a operar programas de trainee em diferentes países, e você como atual ou ex-funcionário de uma filial brasileira, juntamente com um período de estudos no UK, representa um candidato de interesse para esses programas. Multinacionais também terão maior capacidade para atuarem como patrocinadoras de vistos de emprego para estrangeiros, o que pode ser mais difícil para empresas de pequeno porte.

 

Por fim, queridos leitores, no contexto de ano novo, vida nova, gostaria de agradecer pela atenção dada a meus artigos no ano de 2015 – tem sido um prazer co-escrever esse site com meus brilhantes colegas ex-intercambistas aqui do blog. Descobri aqui um grande prazer em desenvolvimento de pessoas e em escrever sobre o mundo corporativo. Peço que, caso haja qualquer assunto de interesse, particularmente sobre negócios no contexto UK-Brasil, ainda não abordado, que seja levantado como comentário nesse ou noutro de meus artigos, e farei o possível para escrever sobre o tema no futuro. Muito obrigado, desejo um 2016 de muito sucesso a todos :-).

assinatura_Eduardo

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