Aproveitando o Intercâmbio para a Carreira

Viver fora envolve diversas experiências acadêmicas e profissionais, como pesquisa e estágio, além de atividades extracurriculares, esportes e de socialização. É importante saber colher os frutos dessas atividades para crescimento pessoal em diversos frontes. Com o foco no desenvolvimento profissional, o artigo de hoje abordará dicas para o bom uso do intercâmbio para oportunidades profissionais futuras, e para a gestão de carreira em geral.

O mito de que “vivi fora” são duas palavras mágicas: Foram-se os tempos em que o intercâmbio acadêmico ou profissional representava um passe-livre para as oportunidades profissionais mais concorridas. Mais alunos foram estudar fora nos últimos anos, devido à globalização e o enriquecimento do país, e também pela popularização de programas como o Ciência sem Fronteiras. Esse cenário, aliado à situação de alta de desemprego, faz com que o intercâmbio por si só não abra todas as portas. Além disso, a qualidade do ensino de universidades estrangeiras é cada vez mais questionada por empregadores.

Uma experiência pessoal: Recém-formado, fui convidado por uma grande empresa do setor de construção civil para uma dinâmica de grupo de uma vaga trainee. No final da atividade, eu e outros dois candidatos dentre os sete originais fomos convidados para uma entrevista individual, na qual fui perguntado a seguinte questão:

Todos os convidados para a etapa presencial fizeram intercâmbio. A gente já sabe que você morou fora, então nossa pergunta é: O que você fez no seu intercâmbio que te diferencia dos outros candidatos?

Não mentirei, essa pergunta me pegou de surpresa. Primeiro por saber que todos os 1200 candidatos da etapa presencial estudaram ou trabalharam fora, algo antes para mim impensável, e segundo pela dificuldade em estruturar uma resposta rapidamente. Como condensar 13 meses de aprendizados e vivências em uma fala de 30 segundos? Como contrastar e sobrepor-se à experiência de outros candidatos? A dica que me custou aprender dessa anedota é: Não carregue só o rótulo do “vivi fora”, tenha boas histórias de crescimento pessoal na ponta da língua.

Pare por um minuto e se pergunte: “O que fez do meu intercâmbio um diferencial?” Talvez você possa afirmar que você fez questão de se relacionar com pessoas de todos os cantos, e não só brasileiros, diferentes de outros estudantes. Ou você pode contar de uma participação em uma sociedade acadêmica, ou uma experiência notável com uma disciplina ou um estágio. Quais foram os projetos que você desenvolveu pró-ativamente? E sobre o que você discorreria por horas relativo à sua experiência, que te trouxe ganhos de caráter?

E no currículo e carta de apresentação? Seguem algumas dicas rápidas:

– Enfatize como o intercâmbio não representou uma experiência pontual. Cite como você continuou envolvido com o país, universidade ou emprego de fora. Talvez valha a pena usar uma oportunidade na seção de histórico profissional do CV para dizer como o intercâmbio auxiliou a resolver um problema em um estágio. Sugiro espalhar palavras-chave pelos documentos que remetem repetidamente o impacto positivo de ter vivido fora.

– Valorize seu intercâmbio: Não deixe de mencionar caso sua experiência internacional tenha sido resultado de uma bolsa obtida por mérito acadêmico. E sua universidade estrangeira é renomada? Por que não listar algum ranking acadêmico ao citar o nome da instituição?

– Ao aplicar para empregos no Brasil: sugiro mencionar como sua intenção de desenvolver-se fora teve como objetivo um retorno positivo ao mercado de trabalho nacional. Isso valoriza sua experiência, e acredite: Há muita gente dentro e fora do mercado de trabalho que possui um preconceito quanto a estudar fora, achando que todo intercambista “só quer saber de festa”.

– Por fim, além do CV e da carta de apresentação, use sua experiência internacional para as boas e velhas perguntas de RH. Uma história como “em grupo ajudamos um colega com problemas em seu apartamento” que para o autor pode parecer corriqueira, é valiosa para os questionários de emprego por trazer problemas reais em contextos internacionais.

Você tem mais alguma dica de como tirar proveito do intercâmbio para a gestão de carreira? Deixe sua opinião nos comentários. Um forte abraço! 🙂

assinatura_Eduardo

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