ESR: Primeiras impressões do programa Trainee no UK

Saudações, membros da rede Alumni SwB UK!

Hoje nesse post do nosso blog venho compartilhar uma experiência incrível de caráter profissional que tive como herança dos tempos áureos do Ciência sem fronteiras no Reino Unido. O objetivo é descrever um pouco pra vocês a minha experiência com o período inicial dos chamados Graduate Programmes, que são os programas de contratação de recém-formados equivalentes aos já conhecidos programas Trainee do Brasil.

Estágio no UK

Fui bolsista do edital UK/170 no período entre setembro de 2014 e agosto de 2015, do curso de Engenharia Mecânica da Universidade de Nottingham. Na época que vim para o UK, estava com um foco imenso em iniciar meus estudos para o trabalho de conclusão de curso, e de repente quem sabe poder estagiar em alguma companhia britânica do mercado de Engenharia. Geralmente é possível estagiar nas férias entre os anos letivos, sempre no período do verão. Quem tiver interesse, dá um olhada no nosso post sobre o assunto.

Por sorte (e muito esforço) consegui executar os dois planos ao mesmo tempo, num estágio de verão na planta de Liverpool da Jaguar Land Rover (JLR), companhia genuinamente de sangue British. Passei por todos os processos de seleção, que foram muito bem explicados num relato do Eduardo de janeiro desse ano. Trabalhar numa empresa dessas é comparável a estar na Disney dos apaixonados por automobilismo.

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Antigo F-1 da Jaguar no museu da empresa

Pois bem, em algumas companhias britânicas esse programas são encarados como “test-drives” para contratação. Você se desempenhando bem, ao final do programa a empresa pode te oferecer uma nova vaga de estágio para verão seguinte, e caso você seja concluinte, é possível também receber uma oferta para o Graduate Programme após a formatura, como foi o meu caso. Ambas opções não tem a necessidade de requisitar ao estudante a passar por novos processos seletivos, o que para muitos colegas meus soaria como alívio.

Visto de trabalho para o Reino Unido

É importante comentar que para ser apto a trabalhar no UK, é preciso possuir um visto de trabalho de categoria Tier 2, ou qualquer passaporte europeu (até então sem levarmos em conta como serão as futuras consequências do Brexit). Nem toda companhia contrata facilmente brasileiros devido às restrições de imigração. As empresas precisam patrocinar vistos para estrangeiros, tanto legalmente quando financeiramente. Isso ocorreu na minha situação, porém para os interessados em se candidatar aos programas semelhantes é sugerido analisar essa situação diretamente com cada empresa.

Primeira semana do programa – a Induction week

A primeira semana de qualquer novo trabalho tende a ser sempre muito mais de aprendizado do que de mão-na-massa e trabalho de fato. E quando consideramos que para muitos essa é a primeira oportunidade profissional de emprego plena, é importante se preocupar logo de cara em inserir essa gente nova na cultura, valores e objetivos do negócio.

Nesse ano na JLR fizeram parte desse processo mais de 450 pessoas, metade formada por recém-formados e a outra metade formada por jovens aprendizes. Considerando a duração, complexidade, e a quantidade de pessoas envolvidas na organização e participação, a equipe de recursos humanos começa o planejamento das atividades com um ano de antecedência. Tudo ocorreu num centro de convenções com toda a estrutura de hotel, restaurantes, auditórios e salas de conferência, no estádio de rúgbi da cidade de Coventry, onde a sede da companhia é baseada.

A organização do evento personalizou toda a programação de acordo com cada cargo que cada um irá ocupar (no meu caso, engenharia e manufatura de motores). As agendas e tudo sobre o evento podia ser consultado num App desenvolvido especialmente para a semana. Com ele, era possível também fazer perguntas aos palestrantes, responder a pesquisas de satisfação, receber mensagens da organização e participar da rede social do evento. A interatividade realmente me chamou a atenção! Ao final da programação os usuários mais ativos durante a semana foram até premiados, com off-road experiences e outros brindes.

Como forma de dar boas vindas, tivemos as apresentações dos principais diretores, como o CEO global da companhia, Dr. Ralf Speth (o alemão é uma figura). Essa atenção que eles tiveram nos primeiros dias é bem importante para o pessoal conhecer os líderes da empresa de forma mais descontraída e receber algumas palavras de inspiração, o que realmente faz toda a diferença.

Motivação – a chave para negócios de sucesso

Além das apresentações convencionais, o que agregou bastante foi poder ouvir relatos de convidados incríveis ligados às marcas, que passaram por momentos de privações e com muito esforço conquistaram resultados impressionantes. A Gilly Mara, atual engenheira de produto da JLR, compartilhou o que aprendeu sobre persistir frente a desafios, na recuperação de uma fratura séria na coluna ao praticar montanhismo e se superar anos depois batendo o recorde mundial de travessia do atlântico em canoa por equipes. O explorador polar Ben Sauders (tem uns vídeos do TED dele muito bons) contou como conseguiu forças para vencer um trajeto de 3 meses no continente glacial a pé, e todos os seus passos a se tornar um empreendedor.

O bate-papo mais inspirador foi com o ex-soldado britânico Gary Prout, que nos emocionou com seus relatos da guerra do Afeganistão sobre espírito de equipe, e nos deu seu exemplo de superação ao se tornar campeão paraolímpico de arco-e-flecha após sofrer durante anos de uma síndrome neurológica crônica. Realmente histórias com grande aprendizados tanto profissionais, como pessoais.

É muito empolgante estar vivendo na pele como as empresas podem fazer diferente ao valorizar e motivar os seus colaboradores. A quantidade de treinamentos e preparações é enorme, mesmo depois das primeiras semanas.  Essa atitude de acreditar e compartilhar o futuro da companhia com os novos ingressantes é o que realmente faz diferença para o negócio ter fôlego de se tornar inovador e disruptivo, ou simplesmente parar no tempo.

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Enfim, pessoal, espero que tenham gostado do meu relato! Quaisquer dúvidas, criticas e sugestões, sou 100% disponível para trocar uma ideia. Até a próxima!

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