Guia para candidatura às bolsas de Doutorado Pleno no Exterior (GDE) do CNPq e da CAPES

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Um tempo atrás alguns amigos me pediram algumas dicas sobre candidatura para bolsas de Doutorado Pleno no Exterior fornecidas pelo CNPq e pela CAPES. Resolvi juntar tudo em um documento só e enviei e-mails para vários amigos e colegas com essas informações. Como é de interesse de todos, resolvi copiar e colar o e-mail aqui (literalmente). Espero que ajude aos interessados!
Segue o mini-guide. A primeira parte fala da candidatura na CAPES/CNPq e a segunda parte fala da candidatura na uni do exterior. Coloquei uma terceira parte com um roteiro do que fazer pra ter tudo em ordem.
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PRIMEIRA PARTE
Seja CAPES ou CNPq, o processo de candidatura exige os mesmos documentos básicos:
1) Projeto de pesquisa
O projeto deve conter no máximo 15 páginas e deve ser escrito de acordo com as normas da ABNT, em língua portuguesa. Alguns tópicos básicos que devem constar no projeto são: 
1.1) Revisão e metodologia a ser adotada
1.2) Impacto e contribuição do projeto para a educação e ciência no Brasil (prestar atenção que são dois impactos diferentes: educação E ciência)
1.3) Cronograma de atividades
1.4) Pontos positivos do candidato (vender seu peixe)
1.5) Motivo de escolha da universidade-destino (essa parte é importante porque muitas candidaturas são indeferidas com a alegação de que a pesquisa pode ser desenvolvida no Brasil)
2) Duas cartas de recomendação
Aconselho que ao menos uma delas seja de uma pessoa da área da pesquisa que se quer realizar, por exemplo um professor que vocês tiveram em alguma disciplina ou projeto de pesquisa. Se a intenção for voltar para o UK/EU, fica mais fácil se a recomendação vier de alguém que já esteja dando aula lá. As cartas também podem ser de ex-empregadores em empregos ou estágios que vocês tiveram.
3) Prova de proficiência na língua do país de destino
No caso de países de língua portuguesa, é necessário comprovar proficiência em inglês.
No Reino Unido, algumas universidades não aceitam mais o TOEFL como comprovante de proficiência no inglês. Desde 6 de abril de 2015, o IELTS UKVI e o IELTS Life Skills são as únicas provas de proficiência incluídas na lista do UK de Secure English Language Tests (SELT) (fonte aqui).
Assim, quando você for aplicar para o visto no Consulado Britânico, é recomendado que você apresente o certificado de proficiência do IELTS UKVI, que é a proficiência oficial do Reino Unido para quem vai aplicar para um visto no bloco do UK. Logo, se você pensa em aplicar para alguma universidade da Inglaterra, Escócia, País de Gales ou Irlanda do Norte, a sua prova de proficiência é o IELTS UKVI.
Já para unis de países da UE, verifique que tipo de teste de proficiência cada uma exige/aceita.
4) Carta de aceite da universidade no exterior
A carta pode ser condicional (uma conditional offer letter). A condição, no caso, seria a questão financeira. Você recebe a carta com uma “condition” nela, tipo a offer só é válida se você cumprir as condições (que nesse caso seria a carta de concessão da bolsa da CAPES/CNPq). Para ser aceita na candidatura à bolsa, essa carta condicional deve conter as datas de início e fim do doutorado e os valores das anuidades, na moeda do país de destino (GBP, USD, EUR etc).
5) Carta de aceite do orientador
O orientador, aka supervisor, precisa mandar pra vocês uma cartinha com o timbre da uni de lá dizendo que aceita receber você como aluno de doutorado. A carta pode estar redigida em inglês.
6) Outros documentos
Como histórico acadêmico, certificado de prêmios, passaporte válido durante todo o período do doutorado etc. Não preciso nem falar que o Lattes precisa estar atualizado.
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SEGUNDA PARTE
As unis, de forma geral, vão pedir os seguintes documentos:
1) Research project
Algumas universidades não exigem um projeto completo, apenas umas duas páginas abordando o tópico de forma bem geral. Mas, se for necessário submeter um projeto de pesquisa,   este deve ser o mesmíssimo que vocês vão submeter para a CAPES/CNPq, só que em inglês.
2) Two recommendation letters
Podem ser em inglês e podem ser as mesmas que vocês submeteram ao CNPq/CAPES.
Escolha cuidadosamente as pessoas que vão recomendar você, pois em algumas universidades não é você que envia as cartas de recomendação: as unis entram em contato direto com as pessoas que você indicou e solicita que elas enviem a carta. Assim, escolha alguém que você sabe que vai ter a boa vontade de fazer isso pra você, pra que tudo seja submetido a tempo e você não tenha problemas.
3) Proficiency test
Mesma coisa que falei na primeira parte.
4) General documents
Históricos, certificados, passaporte, identidade etc. Documentos acadêmicos devem estar traduzidos para a língua do país de destino. A tradução não precisa ser juramentada, desde que tenha o carimbo da uni de vocês. O que pode ser feito é: você mesmo traduz seus documentos da e depois leva na Assessoria Internacional da sua universidade pra eles verificarem que a tradução tá certinha e colocar um carimbo no documento traduzido.
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TERCEIRA PARTE – COMO FAZER OS TREM
A ordem de ações que executei e que recomendo é:
1) Pesquisar e escolher a universidade/grupo de pesquisa que queira trabalhar (quão mais conceituado o grupo, maiores as chances da bolsa ser aprovada)
2) Entrar em contato com um(a) prof(a). do lugar escolhido se apresentando, falando que o Brasil tem umas full scholarships marotas rolando e que você tem interesse, e perguntar quais as oportunidades de pesquisa e o que a uni/grupo de pesquisa gostaria de desenvolver
3) Concordar, com a pessoa escolhida, um tema a ser trabalhado e escrever em conjunto com ele/ela o projeto de pesquisa
4) Marcar proficiência e renovar passaporte, se necessário
5) Com a nota da proficiência e passaporte válido, fazer a application pra ser aceito na universidade e pegar a primeira relíquia da morte, isto é, a carta de aceite/offer letter
6) Solicitar a carta do orientador falando que aceita orientar
7) Submeter a candidatura para a bolsa. Isso é feito na Plataforma Carlos Chagas/E-fomento (o login e a senha são os mesmos que você usa em seu Currículo Lattes), para bolsas do CNPq, e, no caso da CAPES, em seu próprio site. 
É bom ver se as datas da proficiência, renovação de passaporte e application na universidade e para a bolsa não são mutuamente exclusivas, isto é, fazer tudo com antecedência verificando os calendários da bolsa do CNPq/CAPES e da universidade, pra garantir que a offer vá chegar a tempo de submeter tudo ao CNPq/CAPES. Acho que é isso. Qualquer dúvida, me perguntem, e, sempre, leiam todo o edital. Nenhuma info que eu dei vai ser tão valiosa quanto ler todo o edital. Boa sorte! Vamos pra zoropa!
assinatura Augusto
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2 comentários

  1. Ótimo texto, bem didático e direto e ainda tem uns lances marotos na escrita. 🙂

    Me diz uma coisa…como é essa questão das universidades da UK/EU não aceitarem TOEFL? Não sabia disso, aliás, ainda vejo universidades, tipo Oxford, que aceita, pelo menos a informação no site deles…

    Thank you!

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    • Marcos, boa noite! Então: algumas universidades podem aceitar outros testes que não o IELTS UKVI, mas o processo de aplicação pro visto no UK exige o IELTS UKVI, então não faz sentido fazer outra prova que não essa, porque essa vai ser exigida pelo Consulado. Obrigado pela sua dúvida, adicionei essa informação no texto.

      Augusto

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